O Planeta Sem Cores

“Era uma vez, num planeta não tão distante, uma pequena vila que não tinha cores. Todos as pessoas, paisagens e objetos daquela comunidade possuíam um único tom, cinza-azulado. E todos viviam contentes, pois esta era a única cor que conheciam.

Um dia, porém, que deveria ser como outro qualquer… um dos habitantes deste planeta, conhecida como X, decidiu sair para dar uma volta. Foi caminhando e caminhando e se afastando cada vez mais. E logo sumiu de vista.

– Logo ela retorna – pensaram os habitantes.

Mas a noite chegou e X não voltou para a vila. Todos ficaram muito preocupados. Afinal, isto nunca acontecera antes. Ninguém se afastava muito, e todos sempre voltavam… para suas casas, para suas tarefas, para suas rotinas.

E mais um dia se passou, e mais uma semana… e os habitantes começaram a ficar muito inquietos com o sumiço de X.

-Precisamos fazer alguma coisa! – bradavam os mais exaltados.

-E se isso acontecer com mais alguém? – preocupavam-se os mais ansiosos.

– E se ela retornar diferente? – assustavam-se os mais conservadores.

E assim, decidiram que alguém deveria ir atrás de X. Voluntários não faltaram, mas afinal Y foi escolhido como o voluntário perfeito. Era ágil e forte.

Y então partiu, em busca de X. Não sabia o que havia do outro lado do planeta, pois ninguém jamais chegara até lá.

Atravessou vales e montanhas e chegou até um grande rio. Não sabia nadar, mas era muito forte, e assim conseguiu construir uma jangada improvisada e atravessar. Chegou ao outro lado do rio e de lá continuou. Os obstáculos eram muitos, e a cada um superado, um novo aparecia, cada vez mais difícil.

Já muito cansado, Y percebeu a chegada de uma enorme tempestade de areia. As pedras daquela região eram enormes, e atravessar na tempestade era como desviar de bolas gigantes, que vinham de todos os lados. Y até que tentou, mas assim que entrou na tempestade, viu que não conseguiria atravessá-la. Depois de desviar das primeiras pedras, voltou. Era impossível, pensou. Assim, deixando a tempestade para trás, Y retomou o caminho de casa, e retornou à vila.

Mais algumas semanas passaram-se e nada de X, e aos poucos a comunidade parou de pensar no assunto, e retomou sua normalidade.

Alguns meses depois, ouviu-se um enorme burburinho na vila. Todos correram para a praça e, para surpresa de todos… lá estava X. Porém… diferente…muito diferente…

– São cores – respondeu X, explicando porque estava tão diferente aos olhos de todos. Eu tenho cores. Estou retornando de uma parte do nosso planeta onde as cores existem, onde a vida é feita de rosas e de roxos, de azuis e de amarelos, de verdes e laranjas… e ia mostrando e explicando aos moradores os nomes de cada cor.

E então… os habitantes notaram que o caminho por onde X passara, também agora estava em cores. E cada pessoa que ela abraçava, e cada objeto e planta e animal que tocava, também ganhava cores próprias.

Foi assim que de toque em toque, toda a vila coloriu-se. E nunca mais foi a mesma, pois cada cor trouxe a emoção que cada um precisava. Os cansados beberam da vitalidade do laranja; os pessimistas encontraram a esperança no verde; e os exaltados encontraram a paz na imensidão do azul. E a vila encheu-se de vida.

E passados alguns dias, Y aproximou-se de X cheio de perguntas:

– O que aconteceu X? Como você saiu da vila?

– Um dia, caminhando pelos arredores, uma linda flor amarela chegou voando até mim. Fiquei encantada. Ao tocar na flor porém, ela também ficou azulada. Sem ter mais a flor amarela comigo, eu sabia que não adiantaria contar a ninguém. Eu precisava encontrar o local de onde ela vinha, trazer o máximo de cores que eu pudesse, para que então todos pudessem ver o que eu vi. E assim iniciei minha busca.

– Eu só não entendo… – disse Y – como você conseguiu chegar até o outro lado. Eu, que sou forte e ágil, não consegui. Impossível atravessar uma tempestade de areia.

X olhou para Y com carinho. E respondeu:

– É verdade Y, você é muito mais forte e ágil que eu. Também eu encontrei uma tempestade e não consegui atravessar. A diferença é que, no momento da tempestade, eu não desanimei. Procurei abrigo e aguardei ela passar. E então retomei o meu caminho, na tranquilidade do caminho que se abre após as grandes tormentas. Às vezes, tudo que precisamos é um pouquinho de paciência. – concluiu X.”

– Mirela Fioresy

Carta da Leitura de Tarot que originou o conto “O Planeta Sem Cores”, Contos de Tarot, por Mirela Fioresy, como resultado de leitura real de tarot. Tarot: Space of Variations, Por Vadim Zeeland, versão original em Russo. 

Contos de Tarot são leituras de Tarot personalizadas, que trazem respostas e reflexões para questões enviadas pelo consulente, na forma de um Conto exclusivo. Apesar de serem criados como uma mensagem especial para quem solicitou a leitura, são contos que trabalham com imagens e conceitos do inconsciente coletivo da humanidade, trazendo também reflexões para todos nós.

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