“Certa vez um Aprendiz – muito ávido por conhecimento – solicitou uma audiência especial com seu Mestre:

– Mestre, os anos passam e você não estará comigo a vida toda para transmitir todo o conhecimento que acumulou. Então peço, humildemente, estaria disposto a me transmitir, de uma vez, tudo o que sabe?

– Esteja aqui amanhã ao raiar do dia e lhe transmitirei meus conhecimentos até o pôr do sol, pelo número de dias que julgar necessário – respondeu o Mestre.

– Peço apenas o número de dias necessário para que me transmita tudo que sabe – respondeu o Discípulo, e retirou-se agradecido.

No dia seguinte ao raiar do sol, munido de lápis e papel, o discípulo começou a anotar todos os conhecimentos que seu Mestre ditava. E assim transcorreu o primeiro dia, e então outros dias, e semanas, e meses, e anos. E chegou um dia em que o Discípulo, exausto, pediu que o Mestre parasse: Mestre, não aguento mais escrever, mas estou grato por tantos conhecimentos. A partir de amanhã, estudarei tudo o que me passastes!

Pela manhã, o discípulo pegou a primeira pilha para ler, dentre as inúmeras anotadas. Porém, ao virar as páginas percebeu que o grafite borrara de uma página para a outra por ficar tanto tempo empilhado, de forma que nada mais era possível ler. Todos os seus anos de anotações haviam sido perdidos.

– Mestre – disse o Discípulo ao encontrá-lo novamente – perdi tudo que me ditastes. Porque isso ocorreu?

– Talvez – disse o Mestre – não tenha encontrado a melhor forma de armazenar o conhecimento.

O Discípulo decidiu então recomeçar, desta vez utilizando tinta na escrita, de forma que não pudesse ser apagada. E assim passaram-se mais alguns anos de anotações diárias com o Mestre. O Discípulo agora aguardava secar a tinta para empilhar as folhas,  e por isso final do mesmo período havia anotado apenas metade do que conseguira anotar com o lápis. Mas novamente, chegou ao seu limite, e decidiu então aproveitar aquele conteúdo já passado. Agradeceu ao Mestre, reuniu todas suas anotações de papel, e sentou-se para iniciar a leitura. Mas eram muitas páginas – pensou o discípulo – e então decidiu preparar uma jarra de café, para conseguir manter-se acordado por mais tempo. Estudou por muitas horas, mas o sono finalmente o venceu. E dormindo, derrubou todo o café nas pilhas. Ao acordar, viu que novamente havia perdido tudo.

Desconsolado, buscou novamente o Mestre em busca de respostas.

– Mestre, busquei uma nova de armazenamento, mas novamente perdi tudo.

– Talvez – repetiu o Mestre – ainda não tenha encontrado a melhor forma de armazenar o conhecimento.

E o discípulo pensou, e pensou, e chegou à conclusão de que a melhor forma de garantir que o conhecimento não se perdesse, seria talhar os escritos em pedra. Desta forma – pensou – não sofreria a ação do tempo nem das chuvas. E mais uma vez, ao raiar do sol, lá estava o discípulo junto ao Mestre, que pacientemente recomeçou o processo de ditar seu conhecimento. Mas o processo de talhar era muito demorado. Desta forma, enquanto talhava as letras na pedra, o Discípulo aproveitava para discutir com seu Mestre sobre aquilo que estava talhando. Conversavam por horas e horas.

Talhar na pedra era exaustivo, e ao final de algumas semanas, o discípulo já estava exausto. E novamente, decidiu parar para estudar o pouco que tinha talhado. Colocou as pedras em um grande saco nas costas para levá-las para casa. Mas as pedras eram muito pesadas e o discípulo não aguentou: deixou-as cair. As pedras quebraram-se em muitos pedaços, e novamente o discípulo voltou de mãos vazias para o Mestre.

– Mestre, deixei as pedras caírem e novamente volto para cá de mãos vazias.

– Talvez – insistiu o Mestre – ainda não tenha encontrado a melhor forma de armazenar o conhecimento.

– Mas que forma é esta, se nem na pedra posso confiar?

– O que lembra das informações que anotaste à lápis? – perguntou o mestre.

– Nada me lembro, Mestre – disse o discípulo.

– E o que lembra das informações que anotastes com tinta? – tornou a perguntar o Mestre.

– Pouco me lembro, Mestre.

– E o que lembra das informações que anotaste na pedra?

– Ah, destas tudo lembro, pois foram escritas tão devagar, e com tal esforço e foco, que cada palavra se gravou em minha memória; e as discutimos com tantos detalhes, que nem se desejasse, poderia esquecer suas lições. – respondeu o discípulo.

– Pois esta – disse o Mestre – é a melhor forma de armazenar o conhecimento. Dentro de nós. Não porque nos foi ditado, mas porque foi vivido por tempo suficiente para que o compreendamos. Não é feito de papel – que se desfaz, nem tampouco de pedra – que se quebra, mas nunca nos será tirado. Isto é o que chamamos de aprendizado.”

– Mirela Fioresy

Carta da Leitura de Tarot que originou o conto “O Aprendiz e a Pedra do Conhecimento”, Contos Ciganos de Tarot, por Mirela Fioresy. Conto inspirado pelos Ciganos, durante leitura real de tarot. Tarot: Angel Therapy Oracle Card, Por Doreen Virtue e Brian Weiss, versão em Russo. 

Contos de Tarot são leituras de Tarot personalizadas, que trazem respostas e reflexões para questões enviadas pelo consulente, na forma de um Conto exclusivo. Apesar de serem criados como uma mensagem especial para quem solicitou a leitura, são contos que trabalham com imagens e conceitos do inconsciente coletivo da humanidade, trazendo também reflexões para todos nós.

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