“Era uma vez, num reino situado lá no Céu, uma mulher conhecida pela sua grande bondade. Seu nome era Mercedes, e era tão virtuosa e preocupada com os outros, que frequentemente convivia com os Anjos. Anja ela não era, pois ainda precisava aprender muitas lições, mas tal era sua dedicação que os Anjos decidiram lhe conceder também asas, para facilitar seus trabalhos nos reinos angélicos. E assim Mercedes ganhou lindas asas, e acostumou-se com elas.

Quando retornou para sua casa sentia-se especial, pois era uma das poucas que tinha asas. E as exibia orgulhosamente para todos. Com o tempo, porém, começou a sentir-se mais confortável na companhia dos Anjos, do que com seus irmãos sem asas de seu lar. E cada dia sentia menos interesse em auxiliar aqueles que a buscavam. De generosa, passou a seletiva. De amorosa, passou a ser preconceituosa. De irmã, passou a sentir-se superior aos demais.

Os Anjos então reuniram-se em segredo, para ver a melhor forma de ajudar tão valorosa mulher, que no entanto perdera-se com a visão de asas que nem suas eram. Pensaram inicialmente em retirar-lhe as asas. Preocupavam-se, no entanto, que fosse uma punição rigorosa demais, e acabasse por desanimar de vez aquela valorosa companheira. Ela, afinal, havia adquirido méritos inúmeros com suas ações anteriores. Um dos Anjos lembrou-se então, de outro valoroso servidor – que ganhara asas assim como nossa amiga – porém sem desvirtuar-se do caminho. Seu nome era Antonio, e retornaria em breve para uma nova existência na Terra, como trabalhador da Luz. Decidiram então oferecer à Mercedes uma nova existência na Terra, para relembrar a necessidade de auxílio aos irmãos mais necessitados. Por seus méritos, teria como companheiro Antonio, que a auxiliaria nas tarefas e a relembraria da sua missão. Seria um companheiro perfeito para orientá-la em uma nova existência. Assim como ela, era um humano, porém um que soube usar suas asas, e assim serviria de exemplo da boa conduta. E assim foi marcada uma reunião.

Amorosamente, os Anjos conversaram com Mercedes. Ciente dos erros que havia cometido, ficou grata pela nova oportunidade, e sua apreensão dissipou-se quando soube que contaria com a presença de Antonio, a quem conhecia e muito admirava. Recebeu então, importante recomendação:  Antonio lhe procurará num momento determinado de sua vida adulta. – Disseram os Anjos – Caberá a você, porém, reconhecê-lo, e aceitá-lo.

– E como o reconhecerei? – Perguntou Mercedes.

– Reconhecerás pelo que ele tem de mais valioso.- responderam os Anjos.

E assim, Mercedes encarnou. Ainda possuía suas lindas asas, que somente podiam ser vistas por aqueles com muita luz. Nasceu, cresceu, e chegou à idade adulta. Não tinha consciência da reunião que existiu no céu, mas sabia desde menina que estava destinada a alguém muito especial. E conforme os dias passavam, mais animada ficava, sabendo que em breve o conheceria. Começou a imaginá-lo: como seria, como vestiria-se, como a encontraria. Um dia, sonhou com os Anjos, e acordou com a frase na cabeça: “Reconhecerás teu companheiro pelo que ele tem de mais valioso.” Acordou pensativa. O que teria ele de mais valioso? E olhando-se no espelho, viu suas próprias asas refletidas atrás de si: – É claro! O bem mais valioso certamente são as Asas! Ele terá Asas assim como eu! E assim, Mercedes seguiu com sua vida. Acordava e dormia pensando no seu companheiro com asas. E quanto mais pensava, mais lindo ele lhe parecia. Quanto mais esperava, mais perfeito tornava-se seu sonho de uma vida conjunta. E assim, nada fazia em sua vida para auxiliar os outros. Quando ele chegar – pensava – iniciaremos juntos uma vida de auxílio ao próximo.

E os anos se passaram. E muitos pretendentes chegaram, mas nenhum tinha asas, e assim todos receberam um não. E chegou um tempo em que a imagem idealizada do companheiro era tão real para Mercedes, que ela já não olhava para seus pretendentes, e sim para a imagem que criou, em algum lugar distante.

E finalmente chegou o dia em que Antonio a encontrou. Mercedes já não mais olhava para ninguém, porém, como se atraída por uma força maior, finalmente olhou para Antonio. Mas ele não tinha asas tampouco… e assim ela voltou a olhar para cima, e a esperar. E assim foram seus dias, até o final de sua vida.

Antonio seguiu seu caminho, e encontrou outras formas de cumprir sua missão. Não tinha asas, pois havia pedido para vir para a Terra sem elas.

– As Asas não são importantes – havia dito aos Anjos – pois levo comigo o que de mais valioso tenho: o amor.”

– Mirela Fioresy

Carta da Leitura de Tarot que originou o conto “A Anja das Asas de Pedra”, Contos de Tarot, por Mirela Fioresy, como resultado de leitura real de tarot. Tarot: Space of Variations, Por Vadim Zeeland, versão original em Russo. 

Contos de Tarot são leituras de Tarot personalizadas, que trazem respostas e reflexões para questões enviadas pelo consulente, na forma de um Conto exclusivo. Apesar de serem criados como uma mensagem especial para quem solicitou a leitura, são contos que trabalham com imagens e conceitos do inconsciente coletivo da humanidade, trazendo também reflexões para todos nós.

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